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quinta-feira, 7 de maio de 2020

5 de abril – Dia Mundial da Língua Portuguesa

A imagem pode conter: uma ou mais pessoas e texto
Neste dia recordemos o texto de «rara beleza literária» de Eça de Queirós, intitulado S. Cristóvão. Para além da sua arte de escrever, que tanto contribuiu para a modernização da Língua Portuguesa sobretudo em Portugal e no Brasil, aí exprimiu, no dizer de António Sérgio, «o seu ideal mais alto» na superação das imperfeições individuais ao serviço da espécie humana. Nestes dias de pandemia e de alguma apreensão pelo nosso futuro, vamos ler ou reler este luminoso hino à esperança que é também um monumento da arte da escrita numa língua falada por milhões de viventes em todo o Mundo.

A direção da Confraria Queirosiana


sexta-feira, 24 de abril de 2020

O Solar vai a casa 3...

RELER OS ESCRITORES QUE FALAM DE NÓS. 
Neste tempo de reclusão sanitária será boa ideia voltar a reler os grandes escritores que escreveram romances e novelas passados em Gaia pelo menos Garrett, Camilo, Teixeira de Vasconcelos, Rentes de Carvalho.
Falemos de Camilo: podemos encontrar enredos e personagens locais pelo menos nos seguintes romances: Aventuras de Basílio Fernandes Enxertado; A Sereia; Onde Está a Felicidade?; Um Homem de Brios; Aventuras de Guilherme do Amaral; e A Doida do Candal. Tendo feito deste lugar de Gaia o palco privilegiado de vários destes enredos, o que mostra que o conheceria muito bem, dedicou igualmente muitas páginas a Vila Nova, a Oliveira do Douro, a Vilar do Paraíso e ao Senhor da Pedra.
Mesmo o título nobiliárquico que escolheu - visconde de Correia Botelho - poderá ter sido sugerido por um ramo de sua família que tinha interesses no Castelo de Gaia. Estas leituras poderão ser acompanhadas por um passeio pelos lugares referidos a descobrir as diferenças de ambientes do século XIX e dos nossos dias. Boas leituras.

terça-feira, 14 de abril de 2020

O Solar vai a casa 2...


TEMPOS DE EPIDEMIASA EVOLUÇÃO DOS HOSPITAIS EM GAIA.

Hospital da Misericórdia de Gaia, Jornal de Notícias,24 de Abril de 1935
O tempo presente pode servir para inquirir a História e refletir sobre ela. Gaia tem hoje um Centro Hospitalar de excelência, mas tal remonta só a 1977. A referência mais antiga aqui a um hospital é de 1486 e por causa de um surto epidémico. Situava-se junto da capela de S. Nicolaínho no Monte da Meijoeira (depois Hospício do Sr. d' Além na Serra do Pilar). E vagas notícias sobre uma albergaria/hospital nos baixos da Capela da Senhora da Piedade da Areia. Outros nos Mosteiros de Grijó e de Pedroso. 

Sanatório Marítimo do Norte, postal antigo
Ainda antes do século XVI existia o Hospital de N.ª Sr.ª do Castelo de Gaia para viúvas de homens do mar. Poderia ter sido o embrião de uma Misericórdia de Gaia, não foi. Durante as Invasões Francesas e as Lutas Liberais existiram breves hospitais de campanha no Mosteiro de Grijó. Só no século XX aparecerão hospitais permanentes: o Sanatório Marítimo do Norte (1916); a Clínica Heliântia (1929); o Hospital da Misericórdia de Gaia (1935); o Sanatório D. Manuel II (1949; depois Hospital Eduardo Santos Silva). Em 1966 um novo Hospital da Misericórdia de Gaia (Manuel Moreira de Barros). Estes dois últimos, depois de remodelados, deram então origem em 1977 ao atual Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia e Espinho. Um longo percurso. Para saber mais: GUIMARÃES, J. A. Gonçalves (2007) - A Saúde em Gaia noutros tempos. «Boletim da Associação Cultural Amigos de Gaia», n.º 64, p. 20-29; Hospitais de Gaia um século de História. Porto: Fronteira do Caos Editora, 2008.

J. A. Gonçalves Guimarães

quinta-feira, 2 de abril de 2020

O Solar vai a casa 1 ...

EPIDEMIAS DOUTROS TEMPOS: OS SANTOS PROTETORES
Dificilmente o cidadão atual nos países ocidentalizados imagina viver sem hospitais, assistência médica, medicamentos. Mas noutros tempos não era assim: as epidemias sucediam-se, a Medicina pouca e empírica, os fármacos raros. Em busca da esperança de cura os crentes cristãos apegavam-se aos santos protetores e, no caso das pestes, a dois deles: S. Sebastião, soldado romano martirizado com setas no século IV, em 680 invocado em Roma para salvar a cidade de uma epidemia e a partir daí onde elas apareciam. O seu culto generalizou-se. 
Por exemplo, em 1758 no concelho de Gaia, um seu altar ou imagem existiam em 16 das 23 igrejas paroquiais, para além de mais duas capelas. E o antigo largo da Bandeira dos cordões sanitários teve a sua capela no final do século XVIII, passando desde aí a chamar-se Largo do Mártir.
Outro protetor era S. Roque, nascido em Monpilher, França, no século XIV e que sededicou a tratar dos empestados, acabando por ficar infetado. Padroeiro dos calafates, em todos os portos de mar havia uma capela ou altar que lhe eram dedicados. A de Vila Nova de Gaia situava-se em frente da Fonte de S. Roque e foi demolida em meados do século XIX. A sua imagem guarda-se hoje na capela da Sr.ª da Piedade da Areia, à Beira-Rio. Mas todos os anos um romeiro que escapou de doença grave cumpre a promessa de ir vestido de S. Roque na romaria de S. Gonçalo em janeiro.

segunda-feira, 30 de março de 2020

O Solar vai a casa...

QUARENTENAS DE OUTROS TEMPOS. O LAZARETO DE GAIA. 
Ao contrário da perceção atual, noutros tempos as epidemias eram uma constante. O seu principal meio de propagação era a via marítima. Por isso em todos os portos de mar havia um "Lazareto", um local para onde se enviavam em degredo para quarentena as embarcações, os tripulantes, os passageiros e as mercadorias suspeitas de virem contaminadas de outros portos. Eram assim mantidos fora das povoações, sob vigilância e medidas profiláticas. Estes locais funcionavam articulados com as "bandeiras", grupos de guardas armados que controlavam os cordões sanitários face aos viajantes por terra no acesso às povoações. 
Em Vila Nova de Gaia o degredo chegou a ser feito no Cabedelo e em S. Paio, mas foi sobretudo no lugar de Vale de Amores, junto ao Rio Douro e a poente do Castelo de Gaia que o Lazareto persistiu durante séculos. Em 1430 a cidade do Porto, que administrava o Termo do Porto (o equivalente à atual Área Metropolitana) expropriou a Quinta de Vale de Amores a Álvaro Gonçalves Coutinho (o Magriço dos "Doze de Inglaterra") para aí estabelecer as quarentenas. No local havia uma ermida (cujas ruínas ainda existem...) e em 1569 os frades franciscanos aí mandam erguer o Convento de Santo António, agora de Vale da Piedade (hoje propriedade privada). A última vez que o local para tal serviu foi durante a epidemia da febre amarela em 1856. Sendo hoje o local conhecido com Quinta da Fraga, nada aí lembra as quarentenas de outros tempos; já o lugar da Bandeira permaneceu na toponímia gaiense e até num título nobiliárquico (Marquês de Sá da Bandeira). Para saber mais: BARROS, Amândio (2016) - Porto. A construção de um espaço marítimo no início dos tempos modernos. Lisboa: Academia de Marinha, p. 136 e seg.s.

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2020

Curso livre sobre Revoluções e Constituições - 10ª sessão



Solar Condes de Resende
Sábado, 29 de fevereiro – 15-17 horas
Curso livre sobre Revoluções e Constituições
- 10.ª sessão: O Maio de 1968

       Após a breve euforia da vitória dos Aliados sobre a Alemanha nazi e outros regimes colaboracionistas em 1945, rapidamente a Europa e o Mundo ficaram subjugados pelos ditames da Guerra Fria entre o bloco ocidental liderado pelos EUA e defendido pela OTAN, e o bloco de Leste liderado pela União das Repúblicas Socialistas Soviéticas e defendido pelo Pacto de Varsóvia.
            Na França de De Gaulle, mal refeita das derrotas no Vietnam (1954) e na Argélia (1962), vai emergir uma enorme insatisfação entre as massas estudantis universitárias, mas que rapidamente alastra ao mundo laboral, a qual reivindica o fim da guerra do Vietnam (agora ocupado pelos EUA), a liberalização sexual, a ampliação dos direitos cívicos e sobretudo uma nova visão do mundo e da sociedade que ficará conhecida como a Revolução de Maio de 1968.

por J. A. Gonçalves Guimarães

Inscrição prévia obrigatória

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2020

Curso livre sovre Revoluções e Constituições - 9ª sessão



Solar Condes de Resende
Sábado, 15 de fevereiro – 15-17 horas
Curso livre sobre Revoluções e Constituições
- 9.ª sessão: A Revolução da China (1911-1949)

A revolução socialista na China que instaura em 1949 a República Popular da China, tem 3 características que a individualizam historicamente. A primeira, é que foi a mais longa revolução do século XX: estende-se praticamente por toda a primeira metade do século passado numa sucessão de guerras civis e de guerras anti-japonesas que culminam com a tomada do poder, em 1 de Outubro de 1949, pelo Exército Popular de Libertação e o Partido Comunista Chinês (fundado em 1921). É esse processo que analisaremos na presente conferência. A segunda, reside na circunstância de ser a primeira revolução socialista que não parte dos centros urbanos, mas da revolta do campesinato, realizando a estratégia desde cedo defendida por Mao Tsetung (mesmo contra a linha dominante do PCC) do “cerco das cidades pelos campos” e da “guerra popular prolongada”. A terceira, resulta da decisiva influência política e militar que o sucesso dessa estratégia, em 1949, vai ter, após a II Guerra Mundial, nas guerras independentistas e anti-coloniais que varrem as colónias francesas, holandesas e inglesas do extremo Oriente e do sudoeste asiático (Indochina, Indonésia, Malásia, etc.) na primeira vaga de descolonização após o conflito mundial. Essa originalidade da revolução na China marcará mais tarde, no início dos anos 60, o cisma estratégico sino-soviético e do movimento comunista internacional.

Fernando Rosas
Professor Catedrático Jubilado e Professor Emérito da FCSH/NOVA
Investigador do IHC/NOVA

Inscrição prévia obrigatória